Carthabu é uma região localizada na planície de Abi-arap, basicamente um vale por onde passa o rio epônimo. Tanto a região como o vale são, praticamente, invenções de um viajante secular que atende pelo estranho nome de Ub-e-Alaok, ou simplesmente Ub Alaok, do qual adotei meu pseudônimo para escrever aos forasteiros. Ficcionais ou não, tanto a região como a planície, tornaram-se importantes devido a uma coleção de cartas trocadas entre duas pessoas, um homem e uma mulher factuais. Um casal que lá vivia cuja história a ser narrada estará para sempre em algum lugar. Um narrativa a ser notada, não pelo drama, nem tampouco por outra razão que não seja a imensidão de um amor ali nascido. E como será narrada? Não será mais que uma forma de poesia criada através dos nossos olhos. De fato, poderá ser apreciada, percebida, talvez assimilada e compreendida. E, como não poderia deixar de ser pela sua beleza, o amor que nesta poesia há compartilhado será através da leitura das tais cartas, a maioria poemas e dedicatórias trocadas, ou não, ao longo de quase uma década daquela era de amores acesos; a qual, pelo menos aqui no corpo dessas linhas, ainda brilha, ainda pulsa, ainda mais viva.
segunda-feira, 17 de março de 2014
segunda-feira, 10 de março de 2014
Trem Fantasma: Parte 1
Sou, eu próprio, um sujeito,
subjugado a mim mesmo.
Sujeito à minha,
talvez única
e exclusiva existência
como se ela fosse eu próprio,
e imprópria àquilo que, de fato, não sou eu.
Vítima redimida de toda a subjetivação
criada e por mim percebida, desde que
emergi de algum suposto estado anterior a mim,
que pode ser parecido com o nada,
que pode ser parecido com o todo.
Estou aqui, portanto, para existir.
Existir dentro de uma garrafa de sonhos
feita, surpreendentemente, da mais pura realidade.
Criada a partir de mim mesmo.
Dos meus tecidos e materiais
imaginários e reais.
Dos meus tecidos e materiais
imaginários e reais.
Uma garrafa translúcida
com universos dentro e fora,
os quais me infligem
uma centena de questões,
ainda, sem definitivas respostas.
Só, crê a minha alma,
para que eu exercite
para que eu exercite
a sua capacidade de
suportar as dúvidas
sobre todas as coisas
que saem e entram
que saem e entram
pela minha,
aparentemente inexistente,
mente fantasma.
aparentemente inexistente,
mente fantasma.
Pois ela não é palpável
nem tampouco organoléptica.
Mas é e está aqui.
Mais que um vulto,
uma sombra,
uma entidade sempre presente,
que não descansa,
não se define,
não se entende.
não se define,
não se entende.
A indagação permanente
é assustadora. Mas não se assuste.
Permitirei assustar-me
como em um trem fantasma.
Pois agora compreendo:
no fundo, tudo não passa de
mais uma delicada e arriscada
brincadeira, quase de criança,
em um iluminado e colorido,
imensamente diversificado,
eternamente incansável,
parque de diversões.
brincadeira, quase de criança,
em um iluminado e colorido,
imensamente diversificado,
eternamente incansável,
parque de diversões.
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